A Bolívia não tenta te agradar com clichês. Ao contrário: ela é bruta, linda, intensa. Uma mistura de altitudes absurdas, culturas que resistem, cores que gritam e paisagens que mais parecem outro planeta.
Teve um momento, em Potosí, durante as festas pátrias, que esse sentimento bateu forte. Eu tava andando por aquelas ruas coloniais cheias de história, quando começaram a passar as cholitas com roupas tradicionais, desfiles com música, bandeiras por todo lado. Aquilo me pegou de um jeito… Me senti num documentário da National Geographic, só que ali, ao vivo, com cheiro de rua, sons de tambor e uma emoção difícil de explicar.
É um país que exige. Do corpo (soroche, tô olhando pra você) e da mente. Mas se você topar a jornada, volta diferente. Com a alma um pouco mais remexida, sabe?
Por que conhecer a Bolívia?
Porque ela é tudo, menos óbvia. Tem deserto de sal que vira espelho do céu, lago azul enfiado nas montanhas, cidade com teleférico como metrô e gente que carrega tradição na roupa, no rosto, na fala.
É pra quem curte sair do roteiro turístico tradicional. Pra quem quer sentir o vento gelado do Altiplano, comer salteña quentinha na rua, trocar ideia com gente que realmente vive ali.
É um país que cabe em muitas viagens diferentes: espiritual, aventureira, fotográfica, mochileira raiz ou planejada com carinho.
Lista do que fazer na Bolívia: experiências que não existem em nenhum outro lugar
Salar de Uyuni – o espelho do mundo
Onde fica: sudoeste da Bolívia, região de Uyuni
Uyuni não é uma cidade charmosa. Aliás, ela parece mais uma base de sobrevivência. Mas é de lá que partem os famosos tours pro maior deserto de sal do mundo — então você vai perdoar qualquer coisa.
A primeira vez que pisei no salar, parecia que meu cérebro tinha bugado. É tudo branco, liso, sem horizonte. Quando chove, o chão vira espelho e o céu se dobra em você. É uma das coisas mais absurdamente lindas que já vi.
Atividades imperdíveis:
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Tirar as clássicas fotos de perspectiva com miniaturas
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Subir na Isla Incahuasi pra ver cactos gigantes e ter vista 360º
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Dormir em um hotel de sal (leve hidratante! O ar seca até pensamento)
- Tour astronômico, para ver o ceu estrelado e ainda tirar a foto simplesmente mais incrível da sua vida
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Fazer o tour de 3 dias, que inclui:
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Laguna Colorada (vermelha, com flamingos)
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Laguna Verde (que muda de cor com o vento!)
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Gêiseres fumegantes ao amanhecer
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Deserto de Dali (parece uma pintura surrealista)
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Copacabana – a base mística do Titicaca
Onde fica: oeste da Bolívia, às margens do Lago Titicaca
Copacabana foi meu respiro depois de La Paz. É uma cidadezinha com jeitão de povoado sagrado, abraçada pelo lago mais alto do mundo. Aqui, tudo gira em torno da espiritualidade e da água. Dá pra sentir no ar uma paz estranha, como se o tempo andasse mais devagar.
Atividades imperdíveis:
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Subir o Cerro Calvário no fim do dia — a vista do pôr do sol sobre o lago é coisa de cinema
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Visitar a Basílica de Nossa Senhora de Copacabana, onde as pessoas fazem fila pra abençoar seus carros (sim, com flores e tudo)
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Comer uma truta grelhada com limão e batata, direto dos restaurantes simples à beira do lago
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Passar uma tarde sem pressa, só caminhando pela orla, vendo a vida passar — e o lago brilhar
Isla del Sol – uma ilha com alma ancestral
Onde fica: Lago Titicaca, acesso por Copacabana
Sair de Copacabana e chegar à Isla del Sol foi como passar um portal. A ilha tem uma energia que não dá pra explicar direito — você sente. Não tem carro, não tem pressa, só trilha, montanha, gente local e um silêncio que parece conversar com você.
Segundo a mitologia inca, foi aqui que nasceram o sol e a lua. E quando você vê o primeiro raio batendo no lago ao amanhecer, acredita sem nem querer.
Atividades imperdíveis:
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Caminhar de norte a sul da ilha (leva de 2 a 4 horas, dependendo da trilha)
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Visitar a Rocha Sagrada, onde teria surgido o primeiro Inca
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Conhecer as ruínas de Pilkokaina e os terraços agrícolas incas
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Conversar com moradores locais — eles são tímidos, mas guardam saberes incríveis
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Dormir em uma pousada simples com vista pro Titicaca e acordar com o som do vento
La Paz – a cidade que respira diferente (literalmente)
Onde fica: oeste da Bolívia, entre 3.600 e 4.100 metros de altitude (!)
La Paz foi a cidade que mais me confundiu. Você chega e não entende onde está. A cidade vai descendo a encosta como uma avalanche de casas. O caos é real: buzinas, ladeiras, feiras, fios de eletricidade cruzando tudo. Mas tem uma lógica, uma beleza nesse caos — e o teleférico te ajuda a enxergar isso do alto.
Atividades imperdíveis:
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Subir nas linhas do Mi Teleférico só pelo prazer de ver a cidade de cima (e se recuperar da ladeira)
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Explorar o Mercado de las Brujas, com feitiços, ervas e fetos de lhama (sim, isso existe)
- Almoçar no restaurante Popular Conica Boliviana (@popularbolivia), que oferece pratos “sofisticados” inspirados na culinária típica do país, e a um custo muito acessível
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Comer uma salteña no café da manhã — a combinação de massa doce com recheio salgado é viciante
- Luta de wrestling entre cholitas — sim, aquelas molheres de saias longas, tranças nos cabelos e chápeu
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Visitar o Valle de la Luna, um conjunto de formações rochosas que parecem esculpidas por alienígenas
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Encara o Death Road de bicicleta? Eu passei, mas se você curte adrenalina, é um dos rolês mais intensos da Bolívia
Sucre – a Bolívia elegante e colonial

Onde fica: centro-sul do país, altitude mais amena (~2.800 m)
Sucre é a cidade que te faz respirar de novo. Literalmente. Depois de dias a mais de 3.600 metros, chegar ali foi um alívio pro corpo — e pros olhos. Branquinha, charmosa, com clima europeu e mercado boliviano raiz. Uma delícia de andar a pé, parar em cafés com varanda e ver o tempo escorrer mais lento.
Atividades imperdíveis:
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Subir o mirante da La Recoleta pra ver o pôr do sol entre sinos e telhados coloniais
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Passear pelo Mercado Central e tomar um suco de tumbo (meio maracujá, meio mistério)
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Visitar o Museu de Arte Indígena, que mostra tecelagens de tirar o fôlego
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Conhecer o Parque Cretácico, com pegadas reais de dinossauros enfiadas numa parede gigante
- Tomar um drink no bar do terraço do hotel Santa Maria Real, durante o atardecer
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Fazer um curso rápido de espanhol — tem várias escolas, baratas e acolhedoras
Potosí – a cidade da prata e da resistência
Onde fica: perto de Sucre, a 4.000 metros de altitude (!)
Onde fica: perto de Sucre, a 4.000 metros de altitude (!)
Potosí é densa. A cidade já foi a mais rica do mundo, graças à prata arrancada da montanha que hoje engole homens vivos. Visitar o Cerro Rico não é passeio turístico — é confronto. Lá dentro, você entende o que significa exploração, fé, desespero e força.
Mas Potosí também tem festa. Eu tava lá durante as Festas Pátrias, que comemoram a independência da Bolívia (6 de agosto), e foi como cair num filme. As ruas tomadas por desfiles, música, bandeiras tremulando, crianças em trajes típicos, cholitas desfilando com orgulho… A arquitetura colonial fazia tudo parecer ainda mais cinematográfico. Foi ali que eu senti, no peito, aquele famoso: “tô num documentário da National Geographic”. Só que sem a lente de uma câmera. Era a vida acontecendo na minha frente.
Atividades imperdíveis:
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Entrar (com respeito e capacete) nas minas do Cerro Rico, guiado por ex-mineiros
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Visitar a Casa da Moeda, onde a prata era transformada em moedas coloniais
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Conhecer as igrejas do centro e entender a mistura de catolicismo com crenças locais
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Comer uma sopa quente num restaurante antigo, olhando a cidade escondida na névoa
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Se for em agosto, assistir às Festas Pátrias e mergulhar na cultura boliviana raiz
Roteiros sugeridos 🗺️
Roteiro de 7 dias pela Bolívia:
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La Paz (2 dias)
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Copacabana e Isla del Sol (2 dias)
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Salar de Uyuni – tour express (3 dias)
Roteiro de 10 dias pela Bolívia:
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La Paz (2 dias)
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Copacabana + Isla del Sol (2 dias)
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Sucre (2 dias)
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Potosí (1 dia)
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Salar de Uyuni (3 dias)
Roteiro de 15 dias pela Bolívia:
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La Paz (3 dias)
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Copacabana e Isla del Sol (3 dias)
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Sucre (3 dias)
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Potosí (2 dias)
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Salar de Uyuni + Lagunas + Deserto do Atacama (4 dias – cruzando pro Chile)
Outras dúvidas frequentes sobre a Bolívia
Qual a melhor época pra visitar?
Abril a outubro tem clima seco e céu azul, ideal pro Salar. Dez a março chove, mas você pode ver o efeito espelho.
Qual é a moeda da Bolívia?
Boliviano (BOB). Mas em lugares turísticos, às vezes aceitam dólar.
Como chegar?
Voos diretos do Brasil geralmente vão pra Santa Cruz de la Sierra. De lá, você conecta pra La Paz ou Sucre.
Que idioma se fala?
Espanhol, mas em muitas regiões também se fala quíchua e aimará.
Como se locomover?
Ônibus são o transporte mais comum entre cidades. Dentro das cidades, táxi, Uber (em La Paz) e os incríveis teleféricos.
Rápidas curiosidades sobre a Bolívia 🎒
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Tem mais de 30 línguas oficiais
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O Salar de Uyuni tem 10 bilhões de toneladas de sal
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Chola é o nome carinhoso das mulheres com trajes típicos (e não é ofensivo!)
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O “chuño” é uma batata desidratada tradicional — gosto… peculiar
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A bandeira indígena, chamada Wiphala, também é oficial
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Copacabana da Bolívia veio antes da do Rio – e inspirou o nome da nossa!
Voltei com o coração bagunçado. A Bolívia me sacudiu por dentro, me ensinou a andar mais devagar, a olhar mais fundo. Espero que, quando você for, ela faça o mesmo com você.
Nos vemos nas alturas. 💙

